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Michelle,

letuce - potência

Bernardo, responde daquele jeito que combinamos:

“Eu vezes você, quanto que dá?”
“Vai Bernardo, por favor.”
“Vou perguntar de novo”
“Eu vezes você quanto que dá?”
“Tem que dar pra hoje, tem que dar agora.”
“Isso!”
“A gente não tem…?”
“Química.”
“A gente não tem…?”
“Química.”
“Tem biologia, tem geografia; a gente tem história e religião.”
“Lindo, lindo.”


Pronto, foi difícil? Se solta mais seu grosso. É só uma música e você tem que cantar pra mim. Declarações são importantes, me fazem lembrar o tanto que a gente se gosta, e eu preciso dessas confirmações. Ontem mesmo depois de ter desligado o telefone com você lembrei da primeira vez que você me quis e eu nem sabia quem era você. Como era engraçado aquilo, apenas uma garoto, hoje você é o mundo, mas antes não era ninguém. Sabe, que nem quando pensamos o que era a vida sem a gente nem ter nascido. Você faz parte de mim de algum jeito, isso não tem uma solução. Sinto sua falta e eu queria que você permanesesse em mim. Sei que você vai embora um dia, a gente termina e tudo bem. Mas agora, que a gente vive tudo isso você tem que ser mais vivo, às vezes parece um poste do meu sentimento. Acende uma luzinha, vai. As pessoas, nossos amigos, e quem a gente convive, fazem do sentimento uma relutância. Sentir pra eles é não se prevenir, é se abrir, é deixar-se vulnerável. Mas e daí? A vida é frágil, todos somos. Se cair um raio aqui agora, nessa chuva paulistana que deixa a gente em fogo baixo? A gente morre, Bernardo, morre. Então, faz assim, por favor. Vive, só vive. Tá?

Vivendo com o que pensamos

Alguém aqui vive com o que pensa? É um pouco complicado não é? Às vezes converso com alguém e minha cabeça projeta uma pessoa do meu passado, aí visito as memórias daquela época e no meio da conversa digo: “o que você disse mesmo?” É isso que eles chamam de déficit de atenção? Mas todo mundo tem então? E quando eu tenho raiva da pessoa passada e desconto minha raiva na de agora? Eu rio sozinha dessas coisas.

Tenho uma tia que costura. Costura, costura, costura e costura todo dia e faz muito crochê. Gosto de pensar que ela evita pensar. Pensar é um pouco bobo sim se você não faz nada com aquilo.

Na sala de aula eu anoto as coisas porque senão eu já me imagino numa balada ouvindo don’t stop, make it pop. Acho minha vida impaciente com praticamente tudo. Tem um pouco a ver com o fato de eu receber vinte emails por dia, trocar mensagens no BBM na classe, conferir meu twitter, favoritos e facebook. Muita coisa da minha vida pra tomar conta ao mesmo tempo. O que eu não suporto são essas pessoas que dizem que isso é tudo vulgar. O que não é vulgar? Assistir todas as aulas, ser uma CEO, levar tudo muito a sério? Me deixa. Isso pra mim é chatice.

Uma coisa que me estranha muito, no entanto, é que no meio de uma vida tão rápida, eu ainda me sinta a mesma Michelle diariamente. Acho isso muito entediante. Só de pensar que eu vou gostar das mesmas coisas, errar os mesmos erros, repetir minha vida infinitamente me deixa um pouco doida. Aliás, entediada comigo. O pior é que isso se aplica as pessoas com quem convivo. A Marina disse pra mim, num tom insinuante, que encontrou meu ex na HOTHOT ficando com uma garota que já estudou com a gente. Fiquei com raiva de ainda ter um sentimento antigo com o cafajeste. Mas gente, dois anos, dois anos. Não me chamem de malresolvida porque eu não conheço ninguém resolvido, talvez a minha tia do crochê, pelo menos parece.

Lembro que o Woody Allen disse numa entrevista que o mais difícil pra ele em viver é não poder ser outra pessoa além dele. Um saco isso. Quando chego na cidade do Bernardo a avó dele vem e diz: “ta escrevendo ainda, Mi?” Sabe que eu adoro aquele verso seu: “na última noite linda do luar”. Aquele verso meu é da idade dela, passou poxa. E todas as vezes tem que repetir a mesma coisa? Ela tá parada no tempo agora é? Requer um certo esforço procurar coisa nova em gente. Prefiro deixar elas como são.

A perspectiva carioca

(texto publicado na Gazeta Vargas em 22/03/10)

Posto 9, nove e meio, sábado de manhã o conteúdo estético do Rio é nítido. Não bastasse os contornos dos morros, as vistas do arpoador; do Forte, o cuidado com o corpo parece um regulamento com muita adesão. E garotos, homens, garotos, garotos e mais garotos, a praia, o mar propício. Na volta você tem a Lagoa e Burlemarx nas calçadas porque as praias não são suficientes é preciso mais beleza. Drummond estava certo ao sentar em Copacabana e escrever isto:

                                             “no mar estava escrito uma cidade”

Esta percepção “praiana” do Rio é turística e historicamente nova. A literatura fala de um Rio cidade. Lima Barreto se arrastando bêbado e devendo na Rua do Ouvidor à espera do Camburão que o levaria para o que ele chamou de “Cemitério de Vivos” (Tragtenberg chama a FGV disso, mas trata-se de um manicômio); Machado descrevendo as idas e vindas das vaporosas a Cartomante; e Nelson Rodrigues, mais tarde, todo “Cinelândia” e estética “glamour decadente”. Nada de Tijuca, Globais, Ipanema, Posto 9, Leblon (lugar comum de novelas da Globo) ou qualquer coisa assim. Dizem que o carioca não frequentava a praia e uma corte europeia desembarcou aqui já muito perplexa com Copacabana deserta, veio e tomou conta. Aí o pessoal daqui apenas aderiu e fez-se a praia com horário e roupas adequadas. Hoje ainda restam alguns “choques de ordem” mais por bom senso do que pela moralidade. Proibiram o “Altinho”, um esporte um pouco idiota de homens batendo bola para não deixá-la cair mas nessa acabavam arrebentando alguém num passeio. Proibiram o Queijo Coalho por questões de higiene sendo impossível ter só uma qualidade de queijo na praia. Mas o Rio facilmente incorporou a proibição e nas praias você encontra berros de vendedores dizendo:

“-Olha o proibidão, proibidão, proibidão, R$1,50 o proibidão.”


Dos bairros Santa Teresa se destaca como circuito “alternativo-cult-hippie-samba-marchinha” porque lá as marchinhas e as festas pré-carnaval acontecem e carregam o glamour das ladeiras, do bonde e da arquitetura. Dizem que alguns artistas europeus ao visitarem o Rio se desesperaram com a beleza do lugar e se mudaram pra cá. Hoje você encontra casas em Santa Teresa abertas com ateliês dessas pessoas frustradas com a Europa.
O próximo bairro, Botafogo, ao contrário, já traz ares paulistanos. Homens de terno, pressa, blackberries nos ouvidos, trânsito e constante barulho de cidade. A FGV em suas salas mostra a vista da praia enquanto nós suportamos a Nove de Julho, a Rua Rocha ou uma propaganda da Natura. O bairro distribui botecos, bons cinemas e teatros e os habitantes tem um perfil universitário.


A Barra da Tijuca não me interessa e as favelas não visitei. Não visitei porque concordo com um escritor quando disse que todos os lugares do mundo que visitamos servem principalmente para realizarmos uma vontade íntima de voltar pra casa. 


A vida noturna do Rio é muito divertida. Tem uma festa estranha chamada MOO e acontece uma ou duas vezes por mês e as pessoas geralmente não sabem onde. A Casa da Matriz é uma espécie de FunHouse melhorada pela quantidade de ambientes, o espaço, mas não tanto pela música que às vezes extrapola para um rock infantil (nu metal, emocore e essas bobagens de garotos românticos). A Baronetti é uma Royal que alterna um house de academia com mixagens de hip hop e hits, hits e mais hits com eventuais blackouts. O público é incrivelmente bem arrumado, as garotas se encharcam de perfumes doces (a versão mais comum são aqueles de Baunilha), vestidos curtos e salto alto. Os homens são típicos espartanos contemporâneos que associam a balada a uma espécie de guerra. Por fim, e talvez a melhor balada, a Casa Rosa é um lugar que resume todas as impressões da cidade. Num ambiente tem descontração e capoeira com aqueles negões que algumas de minhas amigas guardam uma curiosidade permissiva; no outro, forró arrastapé. Lá fora shows de samba ao vivo além de mesinhas e um público geralmente mais disposto a sociabilizar que qualquer paulistano. O melhor de tudo isso é que a balada se transforma. O lugar da capoeira passa a ser um club com estilo de música carioca (MV Bill, Los Hermanos, Marcelo D2, Martinália, etc.); o forró agora tocando um hip hop, e o samba vira fumódromo. Por isso que a balada dura umas 8 horas começando ainda de dia, e melhor, num domingo! É um mini festival semanal. 


A reputação do Rio destoa do que contei da cidade porque frequentei a Zona Sul. O Rio não é só Zona Sul. Saindo muito satisfeita da Farm, em Ipanema, olhei pro lado e vi um ser humano gritar de joelhos numa súplica brutal, levantando as mãos pro alto e dizendo “por favor, alguém me ajude!” enquanto seus olhos pediam alguma coisa para o céu. Logo depois, à tarde, saindo sozinha até o Jardim Botânico me assaltou um medo muito estranho. Parecia que todas as notícias de jornais desabavam na minha percepção da cidade e todas as pessoas soavam potencialmente criminosas pra mim. Mas não aconteceu nada.



Briga

“Bernardo, vem aqui.”

“Bernardo, vem aqui, agora!

“Bernardo, dança comigo, é minha música favorita deles!”

“Bernardô!”

“Para de gritar sua louca você sabe que eu não gosto dessa porcaria, tô aqui só por sua causa.”

“Você é escroto. Escroto. Não arruina meu show.”

“Esquece, vamos.”

(No táxi)

“Tira a mão da minha perna. Tira.”

“Tá, tá, desculpa.”

“Desculpa pelo quê? Diz.”

“Eu não gosto Michelle, não adianta.”

“Na próxima não vem.”

“Você insistiu.”

“Queria que isso fosse uma viagem e não uma briga, sabe.”

“Tá sendo.”

“Não, não tá.”

“Tá bom.”

“O quê?”

“Nada, vem aqui.”

“Você lembrou de tirar as cervejas do frigobar?”

“Sim.”

“É porque senão ia ter que limpar.”

“Eu sei.”

“Aham, sabe.”

“Seus pais ligaram?”

“Não, amanhã eu ligo.”

“Eu gosto mais da sua mãe do que de você.”

“Vai passar.”

Filosofia infantil

Hoje perdi o meu andar no elevador por causa de uma criança. A menina balbuciava para o espelho e sacudia uma bolsinha de plástico com calcinhas enroladas; quando percebi, estava no andar dela. Crianças me despertam um fascínio tão pronto que já não consigo tirar os olhos delas no primeiro momento que as vejo. É um encantamento que me deixa presa voluntariamente.

Aconteceu também enquanto eu estava sentada no Chokito, num clima já meio decadente às nove da noite na nove de julho, vi outros dois garotinhos trocando agressões com carinho e risadas. Tudo neles parecia tão primário, tão fluente, que me fez perguntar se algum dia vou ser daquele jeito. Não pela falta de preocupações e responsabilidades, mas pela nitidez com que crianças me parecem ver o mundo. A minha cabeça geralmente tem tanta besteira - um pagode repetindo sem parar (“manda q’eu faço chover, pede q’eu mando parar”); uma dúvida sobre o que meu namorado tem feito - e a delas, imagine só, apenas nada. Se elas querem atenção, pedem atenção, se estão com fome, choram, se apanham, vingam. Não tem complexidade. Parece também que elas não fazem muita questão de se separarem do mundo, de se diferenciarem e, principalmente, de negar as coisas como são - coisas que faço assiduamente.

Acho idiotice pensar esse meu amor como materno. Não me vejo grávida. Muito menos mãe. O que eu sei é que quando comparo uma criança a alguém, me mato de rir. Por exemplo, minha mãe:

“filha, você tá viajando com o namorado de carro, reza um pouco, pede proteção.”

ou

“minha filha, para de ir nessas coisas densas de teatro, vai levando.”

Agora minha irmã mais nova:

“Mi, volta?”

ou

“Me dá o telefone, mãe!”

“Pra quê filha?”

?

O caso da Marina

Tenho uma amiga que pilota avião na California. Ela me contou que um dia passou um tremendo apuro na aula, sozinha, sem instrutor. Disse que estava voando a uma determinada altura em pés que congelava o carburador do avião; e, pra resolver isso, precisava ligar o aquecimento e fazer o motor funcionar de novo. Deu certo, mas só por três minutos. A cada desligamento do motor o avião iniciava uma queda livre e isso durou seis tentativas, até que ela desistiu. Mas como não desistiu de viver resolveu pousar, com muito desespero e coragem. Avistou uma rodovia, escolheu o lado menos movimentado e pousou tranquilamente sem deixar um arranhão no avião da escola. Atônita no meu Nextel disse a ela: “sério Ma, eu não quero passar por esse tipo de coisa na vida, esse tipo de sentimento”. E a resposta dela me deixou mais perplexa ainda: “eu não escolho sentir nada.”

 Fiquei com essa frase na cabeça. A Marina sempre foi uma garota muito decidida do que queria, pilotar avião. É provavelmente um daqueles sonhos que um avô queria muito realizar em algum neto e a neta por gostar demais dele só incorporou a ideia pra ela. A convicção da menina me assusta e não são raras essas frases que me deixam meio tonta da vida. Uma garota, como ela mesma diz, single minded.

Depois dessa conversa, durante a semana, talvez ainda sob o efeito do impacto da frase, passei a enxergar na minha rotina comentários de minhas amigas procurando uma vida amorosa mais leve, sem sofrimento, mais fria, de não se entregar tanto, etc. Essas coisas me deixavam coçando a cabeça com suspeita. Como você determina essa medida de se entregar? Como elas fazem? É uma espécie de adestramento? Não vou me envolver, não vou me envolver, não vou me envolver, é assim? Um mantra?

Sempre tive dificuldade em domesticar o que sentia. Até antes dessa frase eu tinha essa crença de que você escolhe passar por algumas coisas. Mas hoje eu acho que a vida é meio trágica pra todo mundo. Não tem consolo. Não digo que sou uma “Maria Padecida” até porque acabei de desligar o telefone com o Bernardo, sabe. Eu vivo bem, mas não sei se viver bem é viver em paz e com leveza. Parece coisa de propaganda de manteiga.

Eu tenho uma memória muito ruim de um ex meu. O idiota era tão palhaço, fazia tanta merda, que chegou um momento que não aguentei mais. Larguei o garoto rindo. Mas essa desistência minha, de achar que conseguiria acordar e seguir normalmente pensando que hoje era outro dia me despertou um profundo desprezo dele. Eu desprezava a roupa dele, a maneira de ser dele, as palavras que ele usava, os pensamentos dele. Até que chegou um momento, meio cataclísmico e epifânico, que eu constatei: aquele desprezo estava dentro de mim e não nele. Hoje eu ainda carrego um leve cinismo com o palhaço, uma versão mais cotidiana do desprezo que sentia. Isso tudo porque eu não suporto a imagem dele xavecando outra garota na minha frente, quero mais é a indiferença que sinto por ele.

O Bernardo gosta muito de “machices”. Eu não ligo, mas também não costumo dar atenção a assuntos viris e bobos. Só que um dia ele me contou uma história que achei muito incrível. Dizem que César, o primeiro imperador de Roma, antes dos seus discursos pra milhares de soldados agachados, escutava no ouvido a seguinte frase de um de seus conselheiros: “você é um homem”. Sério, isso me deu arrepios. Eu gostei muito desse conselheiro ter usado “homem” e não “humano”. “Humano” levaria todas as ilusões, fantasias e egotrips que temos. Já homem faz xixi, vomita, sofre e não escolhe o que sente.

A carteira na minha bolsa

O que eu mais gosto em garotos é, por definição, a carteira deles na minha bolsa. Claro que eu não carrego 14 carteiras de meninos, não sou nenhuma bandida da EAESP, umazinha me basta. Mas a carteira dele já significa que ele vai voltar pra mim e nesse mundo que os relacionamentos são raros ou ruins eu prefiro assistir o Bernardo voltando. Ele sai, causa, incorpora as lógicas coletivas dos amigos quando conversa, finge que não me vê, é estúpido pra algumas coisas, mas eu vejo algo nele que parece um reflexo do que mais gosto em mim. É uma harmonia de dar inveja a músicos. 

Esses dias atrás ele me disse: “você acha que essas garotas todas não querem dar? É tudo assim”. Eu engasguei com a minha risada e contagiei a dele. Apesar de ver uma porcentagem de machismo nessa frase (garotas não podem querer dar agora? Qual o problema em garota ter desejo?), parecia que eu compreendia algo a mais, talvez a visão de mundo dele. Foi só nesse momento que percebi que havia espaço para mudanças na cabeça do menino. Às vezes minhas grosserias o afastavam de mim, e pior, até faziam ele repetir infinitamente as bobagens que ele dizia por teimosia.
Outra coisa que eu gosto muito nele é quando ele sente que errou comigo. Uma vez, acho que na última Guinevere, ele tascou a mão na minha bunda com toda a felicidade do mundo e eu gritei: “Bernardo, para, agora!”. Pronto; com a cara dele de arrependimento já percebi que à noite ele ia ficar revoltado por ter achado que tratou a namorada dele como uma vagabunda na frente dos outros. Mas meu Deus, é só uma bunda. O que há de mais em bundas? Só garotos veem também, eu acho a minha um tédio na verdade.

Ontem ele saiu pra balada com os amigos e eu cutuquei ele com o pé: “tá baladeiro agora, é?” E eu pensei, por que disse isso? Seria uma ironia? Uma aceitação de que a garanhice faz parte do mundo dele? Ou uma mera conveniência?  Eu não sei, às vezes me sinto confusa. E até prefiro ficar na dúvida porque tenho medo de por as pessoas num catálogo, como vejo todo mundo fazer.


O que me fascina nisso tudo deve funcionar pra outras pessoas de uma forma ou de outra. Gostar de alguém é saber que aquela pessoa é realmente a única no mundo, e devia ser assim com todos. Os tipos que você  enquadra as pessoas somem. O Ricardo não é o garoto de AE com aquelas golas polo Abercrombies cansadas tentando aparecer pra mim, o Ricardo é muito mais complexo que isso, e eu aceito essa complexidade. Pra falar a verdade eu vivo descobrindo ele, enquanto, bem, ele não tá nem aí. Mas o desleixo dele é charmoso e me encanta porque a naturalidade com que ele é ele mesmo confirma todo o dia o quanto eu gosto dele. 


Eu não sei como funciona nossa cabeça, mas tenho a impressão que compreender e amar não difere muito. Sofre, portanto, quem não entende. Há convicções que são arraigadas demais no nosso mundo e num namoro elas geralmente se esbarram - pode ser até mesmo um copo d’água apoiado num piano - e aí a coisa se destrói. Sobra cinismo, indiferença; e cultivar isso com quem já gostei é no mínimo muito estranho.